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Showing 1-6 of 6 entries
2 people found this review helpful
40.4 hrs on record (13.0 hrs at review time)
Persona 3 não é só um JRPG. É um jogo que fala sobre tempo, cansaço, morte — e sobre continuar andando mesmo quando tudo parece inevitável.

Eu trombei nesse jogo por acaso. Estava rodando pela internet procurando algumas ISOs de PSP quando esbarrei nele sem muita intenção. Olhei as capturas de tela, li a sinopse e resolvi baixar. E, sinceramente, foi uma das melhores escolhas que já fiz.

A estrutura dele é simples: vida escolar durante o dia, Tartarus à noite e, claro, os Social Links ao longo da gameplay, que te aproximam muito da vida real — afinal, a gente cria vínculos com aqueles que ama, certo?
Mas mesmo com esse clima aparentemente “leve”, existe por trás uma sensação constante de pressão. O calendário anda. As noites passam. As escolhas importam. E o jogo sempre te lembra que o tempo não espera por ninguém.

Eu escolhi o Portable ao invés do Reload por um motivo muito específico: a protagonista feminina. E sou sincera quando digo que jogar com ela mudou completamente minha relação com o jogo. Existe algo na forma como ela se posiciona no mundo, nas respostas que dá e nos vínculos que cria que torna a experiência mais humana e mais próxima da vida real. Não é só uma troca de modelo de personagem — a energia dela altera o tom das interações e deixa tudo mais íntimo, mais pessoal. Em vários momentos, parece que eu realmente sou amiga daqueles personagens e sofro as dores deles junto com eles.

O Tartarus, apesar de ter um design repetitivo, cumpre exatamente o papel que a narrativa propõe: ele cansa, oprime e desgasta. Subir um andar atrás do outro não é divertido — e ele foi feito pra isso. Existe uma solidão ali que combina perfeitamente com o tema do jogo. Quanto mais você sobe, mais entende que aquela torre não é só uma dungeon pra matar monstros e ganhar EXP, mas um reflexo do estado mental dos personagens… e, às vezes, do seu também.

Além disso, o Tartarus trabalha muito bem a incerteza e o medo do desconhecido. Você nunca sabe se vai aparecer um inimigo muito forte ou muito fraco, nem conhece as fraquezas deles sem analisá-los antes. Isso adiciona muito à imersão, porque os outros personagens também não sabem.

Os Social Links são onde Persona 3 realmente brilha. Não são apenas histórias secundárias: são retratos de pessoas quebradas, contraditórias e reais. Nem todo vínculo é confortável. Nem toda história termina bem. E isso dá um peso absurdo a cada escolha de como passar o tempo.

Ver a Yukari amadurecendo mesmo com a dor constante de perder o pai, ver o Akihiko lidando com a morte da irmã e aprendendo a se perdoar — tudo isso é impagável. E, novamente, são coisas que você só presencia se escolhe passar tempo com esses personagens.

A trilha sonora é incrível. Ela sabe quando ser melancólica, quando ser estranha, quando ser agressiva e também quando oferecer conforto — como a música do dormitório ou as faixas que tocam nas rotas românticas. Muitas dessas músicas ficam na cabeça não só pelo som, mas pelo sentimento que carregam.

Persona 3 Portable tem limitações claras. É impossível compará-lo diretamente com o Reload, como vejo muita gente fazendo. A apresentação é mais simples, há menos cenas animadas, mas a essência permanece intacta. A história, os temas que ela carrega e o impacto emocional continuam os mesmos — e fortes o suficiente para te acompanhar mesmo depois que os créditos sobem.

Não é um jogo leve. Nem sempre é confortável.
Mas é exatamente por isso que ele é incrível.

Recomendado para quem gosta de histórias densas, personagens bem escritos e jogos que fazem você se apegar… mesmo sabendo que vai doer.
Posted January 16.
Was this review helpful? Yes No Funny Award
9 people found this review helpful
36.8 hrs on record
Final Fantasy X foi o primeiro Final Fantasy que joguei, ainda criança. Na época, eu não sabia explicar por que aquele jogo me deixava com um peso estranho no peito, nem por que tinha a sensação de que toda a trilha sonora falava, no fundo, sobre despedidas. Hoje, a Gabi de vinte e poucos anos entende exatamente o porquê.

Tudo em FFX me fascina: a ambientação, as músicas, a estética e, principalmente, os personagens. Spira é um mundo lindo, mas melancólico — sempre à beira da perda. E o jogo nunca tenta esconder isso. Pelo contrário, ele te convida a sentir.

Tidus é, para mim, um dos personagens mais humanos que já vi nos jogos. Ele brinca, ri, age por impulso, fala o que pensa sem filtro. Mas, conforme a jornada avança, ele amadurece — e esse crescimento acaba refletindo em quem está jogando. A dor, a responsabilidade e o amor o moldam, e é impossível sair ileso desse processo.

Yuna dispensa muitos comentários. Seu arco começa com ela pronta para morrer, preparada para se sacrificar por Spira e pelo seu povo. No entanto, ao longo da história — e principalmente após conhecer Tidus — ela passa a sentir medo de morrer. Começa a questionar sua fé, o ciclo de sacrifício e o verdadeiro significado de Sin. Ver alguém que aceitou a morte como destino aprender a desejar viver é uma das coisas mais fortes do jogo.

Auron, por sua vez, é a representação mais sincera do luto. Ele carrega o peso do passado em cada palavra e em cada silêncio. Ao longo da história, luta não apenas contra inimigos, mas para concluir algo que ficou inacabado, buscando, no fim, a paz que lhe foi negada por tanto tempo.

Entendo que o final de Final Fantasy X possa ser frustrante para algumas pessoas. Lembro que, quando conheci o jogo por volta de 2006, via muitos comentários em fóruns de gente que não gostava do desfecho. Eu penso exatamente o contrário. Acho o final lindo e profundamente poético.

A cena final, com Tidus emergindo das águas, sempre me remete às partidas de Blitzball em Zanarkand. Para mim, ela simboliza libertação. É Tidus aceitando o perdão do pai, o próprio sacrifício e o fim de sua jornada em Spira. Não como uma derrota, mas como um encerramento necessário.

Final Fantasy X não é apenas um jogo que se termina — é uma experiência que permanece. Ele fala sobre perda, amadurecimento e despedidas, e talvez por isso continue ecoando tantos anos depois. Algumas histórias a gente guarda. Outras… a gente carrega.
Posted December 21, 2025.
Was this review helpful? Yes No Funny Award
17 people found this review helpful
6.3 hrs on record
The Stanley Parable é uma daquelas experiências que te pega desprevenido: não porque é assustador, mas porque é estranhamente vazio. Você entra num escritório iluminado demais, silencioso demais, perfeito demais… e percebe que algo está errado antes mesmo de saber o porquê.

O jogo brinca com o desconforto de estar sozinho num lugar onde deveria haver gente. Nada de monstros. Nada de sombras. Tudo limpo, organizado e inquietante. E no meio disso, você — e uma voz que insiste em dizer o que você “deveria” fazer.

O charme aqui é simples:
toda escolha parece sua, mas cada caminho te lembra que você está sendo observado o tempo todo.

O Narrador comenta tudo, julga tudo, debocha de tudo. Ele está presente, mas você nunca sabe se ele é companhia… ou prisão. E quando o jogo resolve sair do script — como aquele raro glitch onde um NPC aparece por um segundo — a sensação é de que o próprio cenário piscou pra você. Um lembrete de que tem algo ali que você não deveria ver.

O resultado?
Uma experiência que mistura humor ácido, filosofia barata (da melhor forma) e um forte sentimento de “eu não devia estar aqui, mas vou continuar mesmo assim”.

Quando o gênero dos “escritórios vazios” virou moda por causa das Backrooms, muita gente tentou copiar essa sensação. Mas The Stanley Parable já fazia isso antes — e fazia melhor, porque o vazio aqui não é cenário, é personagem.

Eu me lembro da primeira vez em que joguei a demo desse jogo, lá em 2013/2014, muito antes do termo "backrooms" viralizar e se tornar tão banal quanto é hoje, muito antes de eu entender que esse jogo me deixava inquieta não por ser sarcástico ou me julgar por qualquer mínima coisa que eu faça (como entrar no armário das vassouras, por exemplo), ele me deixava inquieta porque eu tinha a sensação de que eu estava em um lugar onde não deveria estar.

Enfim, falar de The Stanley Parable para mim é sempre difícil e sempre vai ser positivo, porque mesmo depois de 15 anos eu continuo jogando ele.

Se você gosta de jogos que cutucam a sua percepção, quebram expectativas, e te fazem rir enquanto você questiona sua sanidade, vale cada minuto. Só não espere respostas. Nem companhia.

Eu recomendo esse jogo para todos os meus amigos sempre que tenho oportunidade, e mesmo conhecendo ele a mais de 10 anos, ainda me faltam palavras para poder expressar todas as sensações que eu sinto ao jogá-lo.

10/10 — me fez sentir observada em um escritório vazio, e olha que isso nem era a parte assustadora.
Posted December 6, 2025.
Was this review helpful? Yes No Funny Award
1 person found this review helpful
14.2 hrs on record (4.6 hrs at review time)
muito foda nota 10, pica demais
Posted July 26, 2022.
Was this review helpful? Yes No Funny Award
1 person found this review helpful
357.5 hrs on record (149.3 hrs at review time)
lindo lindo lindo lindo lindo lindo lindo lindo lindo lindo
apenas
Posted June 3, 2022.
Was this review helpful? Yes No Funny Award
1 person found this review helpful
55.4 hrs on record (35.9 hrs at review time)
mto bom
Posted December 10, 2021.
Was this review helpful? Yes No Funny Award
Showing 1-6 of 6 entries