eh o Digas
diogo
Tadjoura, Djibouti
tamanho não é documento
tamanho não é documento
Artwork Showcase
carta aberta de mim, para mim mesmo
já escrevi tanta coisa pra você
eu conheci todas as pessoas que você amou
ou pelo menos achou
conheci todas as suas alegrias e decepções
transformei em palavras
todas as suas emoções

hoje sosseguei um pouco
vejo sua correria
seu sufoco
seu cansaço
percebo até que não te agrada
quase tudo que eu faço
mas sei que você gosta disso
te conheço bem
até melhor do que você mesmo
eu e pelo menos outros cem

eu tava lá
todas as noites que você não dormiu
eu que coloquei em linhas
tudo que você sentiu
eu vi
quando você levantou pra fumar
pra aliviar o peso da mente
e crente
que te ajudaria a descansar
mas nós dois sabemos que não é assim que funciona
a fumaça e o álcool são grandes amigos dos nossos versos
eu conheço suas manias
seus vícios
que inclusive são diversos
sei quando você sente medo
conheço seu mais obscuro segredo
acho engraçado seu desespero
ao perder a hora todo dia cedo

eu conheci a sua raiva
e mesmo que de uma forma tão mínima
te ajudei a aliviá-la
escutei todas as besteiras que você pensou
e nunca tirei sua razão
acompanhei de perto tudo que você passou
seu modo tão desorganizado de ser sistemático
às vezes apático
enigmático, até mesmo pra mim

como Froid em Fantasmas
essa é uma carta do meu eu-lírico
pro meu eu-mesmo
tão íntima
a ponto de só nós entendermos o sentimento por trás de cada estrofe