De Timisoara, na Romênia, pegamos um trem em direção a Belgrado, na Sérvia. O trem parou na fronteira para que os agentes de imigração verificassem nossos passaportes e depois seguimos viagem até Vrsac, uma pequena cidade sérvia de onde partiríamos em outro trem para a capital do país. Não nos demos conta de que o fuso horário na Sérvia era diferente e lá o relógio marcava uma hora a menos. Por causa dessa confusão, achamos que tínhamos perdido o trem para Belgrado e vimos que o próximo só sairia dali a quatro horas. Estávamos enganados, o trem ainda estava para chegar, mas só descobrimos isso bem mais tarde.
Equivocados, saímos da estação e resolvemos caminhar até a rodoviária, que ficava a mais de 4 km de distância. Foi uma caminhada longa com breves pausas para pedir informações e trocar dinheiro num banco. As três pessoas com quem conversamos foram extremamente simpáticas, gentis e prestativas, como todos os sérvios que conhecemos nessa viagem. Quando o caixa do banco soube que éramos brasileiros, ficou bastante surpreso e soltou uma exclamação que provavelmente significava: “Uhuuuuuu, caramba, que exótico!”. Acho que brasileiros são raríssimos na cidade e nós fomos parar lá por acaso.
Percorremos toda a rua principal de Vrsac e vimos de relance algumas atrações pelo caminho. A cidade é bem pequena e não deve atrair um grande número de turistas estrangeiros, apesar de termos visto duas agências de viagens e algumas placas de sinalização em inglês. Chegamos na rodoviária depois de mais ou menos uma hora de caminhada e pegamos um ônibus que estava prestes a sair para Belgrado.
Apesar do engano e da falta de necessidade de fazer essa caminhada, achei legal conhecer uma cidade pacata no interior da Sérvia e interagir com as pessoas super simpáticas que encontramos pelo caminho. Valeu como experiência!
SÉRVIA
Belgrado
Chegamos a Belgrado no início da tarde, deixamos a bagagem no albergue e fomos explorar os arredores. A capital sérvia é a principal cidade da antiga Iugoslávia e uma das cidades mais antigas da Europa. Minha primeira impressão foi a de uma metrópole com muita personalidade, ampla variedade de atrações turísticas e uma vida noturna bastante agitada.
Portão do Relógio no Parque Kalemegdan
Sempre que viajo para o velho continente, reparo na limpeza das ruas e das praças públicas, o que provavelmente passa despercebido aos olhos dos europeus que estão acostumados a isso. Entretanto, para uma brasileira, é sempre uma agradável surpresa notar que os canteiros de flores são bem cuidados e que quase não há lixo no chão.
Fortaleza de Belgrado
Conforme comentei anteriormente, me surpreendi com a extrema simpatia e a gentileza das pessoas nessa parte do mundo e, quando pesquisei para este relato, percebi que muitos brasileiros tiveram a mesma impressão. Não houve problema na nossa comunicação porque muitos sérvios falam inglês. A Sérvia, como praticamente todo o leste europeu, tem um custo de vida bem mais baixo do que o restante do continente. Sendo assim, a gente gastou muito menos em hospedagem, alimentação e atrações do que na parte ocidental da Europa. Para completar a lista dos motivos para visitar o país, desde meados de 2013, os brasileiros não precisam mais de visto, obaaaaa!
O Kalemegdan é o maior parque de Belgrado e seu nome deriva das palavras de origem turca kale (que significa “fortaleza” ou “castelo”) e megdan (que simboliza “campo” ou “planície”). Kalemegdan portanto representa "o campo da fortaleza" e denota o território que antecede o forte propriamente dito, no caso, a Fortaleza de Belgrado (Beogradska Tvrđava). No uso corriqueiro, tanto o parque quanto o forte são simplesmente denominados Kalemegdan.*
A Fortaleza de Belgrado foi a atração turística que eu mais gostei de conhecer na cidade e por isso mesmo foi a que ganhou mais fotos nesse relato.
O local abrange um complexo de construções remanescentes do desenvolvimento de Belgrado nos últimos 12 séculos. É possível visualizar desde as primeiras muralhas construídas pelos romanos no século I até as sucessivas reformulações conduzidas durante as ocupações otomanas e austríacas.*
*Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Kalemegdan
Foi uma delícia passear entre as muralhas e observar as mais belas vistas da cidade, incluindo a confluência dos rios Sava e Danúbio.
Estátua de Victor, um dos cartões postais da cidade que celebra a vitória na Guerra dos Bálcãs
A estátua de Victor ou “Pobednik” foi construída em 1928 para comemorar o triunfo dos sérvios na Guerra dos Bálcãs. O monumento tem 14 metros de altura e é uma marca registrada da cidade, presente em vários souvenirs, como os porta-copos que comprei lá e mostrei AQUI.
Assistir o pôr do sol a partir da fortaleza é uma atividade praticamente obrigatória para quem visita a cidade.
Quando a noite cai, as muralhas recebem uma iluminação especial que torna o passeio ainda mais agradável e romântico.
Lá do alto, é possível observar as duas margens do rio, que ficam cheias de barcos que funcionam como bares, boites e restaurantes. Não havia muito movimento quando estivemos lá na baixa temporada, mas dizem que nos meses mais quentes a região fica animadíssima.
Barcos ancorados que funcionam como restaurantes
Boite à beira do rio
Gostei muito de caminhar à beira do rio na região que fica próxima à fortaleza. Na verdade, nós começamos a caminhada em outro ponto bem mais afastado, mas não foi muito agradável porque só vimos carcaças de embarcações e detritos. A parte que vale a pena conhecer e que fica badalada à noite fica nos arredores da cidade velha (stari grad).
Pra quem gosta de cervejas artesanais e, especialmente as IPAs (meu estilo preferido), vou deixar aqui a dica de dois lugares onde encontrei uma marca que adorei, a KABINET: MINERS PUB e BERLINER. A BrrKaaa é muito gostosa e a SuperNova foi uma das melhores IPAs que experimentei. Recomendo muito!!!!