Túmulo de Isa Khan
Antes de sair do Brasil, li bastante sobre a questão do choque cultural que os ocidentais enfrentam quando visitam a Índia. Ouvi tantos relatos que fiquei preocupada e corri atrás de informações mais detalhadas, dando prioridade aos blogs de brasileiros que viajam por conta própria, assim como nós. Viajar desse modo é mais econômico e nos permite passar o tempo que quisermos nas atrações que decidimos conhecer, o que não acontece quando fazemos parte de um grupo ou excursão. Essa liberdade nos agrada muito e é por isso que desde 2010 o Marcelo organiza nossos roteiros. Eu acho meio chatinha essa parte logística, mas ele não se incomoda de pesquisar sobre hotéis, transportes, restaurantes etc. e normalmente eu confio no bom senso dele, rs! Dou alguns pitacos, mas só vejo a lista das cidades que vamos visitar pouco antes de partir.
Dessa vez foi diferente porque eu sabia que essa viagem não seria como as que fizemos para a Europa, onde é muito fácil se deslocar, pedir informações, interpretar mapas e resolver imprevistos. Há alguns anos, estive no Egito e na Tunísia protegida pela “redoma” da excursão, me senti segura e amei a experiência, mas na Índia estaríamos completamente sozinhos, o que me deixou tensa.
Depois de 20 dias no país, pude fazer um balanço da viagem e constatar que eu tinha me preparado tanto antes de ir que nada do que vi me chocou ou surpreendeu além do esperado. Eu não odiei a Índia nos primeiros dias, como grande parte dos blogueiros relatou. Tudo era exatamente como eu imaginava, o que me leva a crer que muita gente não faz essa preparação/pesquisa antes de embarcar numa aventura como essa. Entretanto, tive um choque cultural sim: pela primeira vez na vida, me vi no papel de “turista gringa bobinha pára-raio da malandragem local que pensa que estrangeiro tem dinheiro sobrando e inventa mil maneiras para tentar tirá-lo de você”. Os picaretas indianos não são nada diferentes dos picaretas brasileiros, tenho total consciência disso, mas a questão é que aqui no Brasil eu sou local, então ninguém vem dar uma de esperto pra cima de mim. Lá era diferente e aos poucos vou contar pra vocês os episódios de malandragem explícita a que fomos submetidos. Agora acho tudo muito divertido, mas foi chato quando aconteceu.
Para terminar essa introdução, vou copiar aqui um comentário do Marcelo que achei bem pertinente:
“Seguramente a Índia não é para viajantes inexperientes. Você tem de lidar com muita malandragem e negociar muita coisa. Acho isso mais complicado para um viajante inexperiente do que ter de lidar com as condições de higiene (que são diferentes) e a sujeira (que é ostensiva). Alguém já disse aqui que, se você tem medo de barata, não vá para a Índia. É por aí”.
Dito isso, preciso afirmar que é possível amenizar tudo o que é desagradável na Índia contratanto uma excursão ou motorista particular, mas não era isso o que a gente queria. Nossa viagem ao Egito teve um padrão 5 estrelas e foi ótima, mas o objetivo na Índia era viver uma experiência mais autêntica. Como tudo na vida, nossas escolhas tiveram prós e contras, mas ficamos felizes com o que vivenciamos e certamente aprendemos bastante sobre essa cultura tão rica e cheia de contradições. Resumindo: valeu a pena!
Túmulo de Isa Khan
Chegamos no hotel BLOOMROOMS em Delhi por volta das 4h da manhã e fomos direto dormir pra recuperar as energias depois de mais de 20 horas de viagem entre voos e tempo de espera pelas conexões. O bairro onde nos hospedamos (Paharganj) é bem caótico, mas gostamos do hotel simples, porém aconchegante, limpo e com design moderno e fofo.
Acordamos algumas horas depois dispostos a explorar a cidade e começamos a fazer isso por Connaugh Place. Nesse primeiro deslocamento pudemos perceber que andar pelas ruas de Delhi não era algo agradável e assim comprovamos, como já era previsto, que não caminharíamos muito e que os tuk-tuks (ou auto-riquixás) seriam nosso principal meio de transporte. O metrô de Delhi é bem moderno e atende boa parte da cidade. Assim como no Rio de Janeiro, fica lotado na hora do rush e há um vagão só para mulheres. O curioso é que existem detectores de metais em todas as estações e os passageiros precisam necessariamente passar por eles antes de embarcar.
Túmulo de Isa Khan
O primeiro dia de viagem caiu numa segunda-feira, quando várias atrações da cidade estavam fechadas. O Marcelo havia pesquisado antecipadamente no guia LONELY PLANET o que estaria funcionando e lá fomos nós seguir esse roteiro. Nossa primeira parada foi o Túmulo de Humayun/Humayun's Tomb, mas antes passeamos pelos jardins, pelo túmulo e pela mesquita de um nobre afegão chamado Isa Khan.
Túmulo de Isa Khan
O Túmulo de Humayun/Humayun's Tomb é o mais antigo mausoléu mogol de Delhi, sendo considerado uma das mais extraordinárias construções históricas da cidade.
O mausoléu foi construído por um arquiteto persa contratado pela viúva do imperador Humayun no século XVI e faz parte do Patrimônio Mundial da Unesco desde 1993.
A sua importância arquitetônica-paisagística é vista sobretudo no fato de ter fundamentado a concepção que une mausoléus a jardins. Assim, seria também modelo do Taj Mahal, em Agra.*
Detalhe das janelas vistas de dentro do mausoléu
Família sikh visitando o Túmulo de Humayun
India Gate
Na saída da atração, fomos comprar uma garrafa de água e o Marcelo aproveitou para perguntar ao vendedor quanto sairia uma corrida até o India Gate. Ele respondeu que seria algo em torno de 70 rúpias, mas pediu pra gente não dizer ao motorista do tuk-tuk que ele nos deu essa dica. Isso acontece porque, conforme relatei no post sobre as comprinhas que fiz no país, a maioria dos indianos acredita que os estrangeiros devem ser sobretaxados e começam a negociação jogando o preço nas alturas. Não deu outra, mas a gente fechou a corrida por 70.
O India Gate lembra o Arco do Triunfo, possui 42 metros de altura e foi construído em homenagem aos soldados mortos na Segunda Guerra Mundial e nas Guerras Afegãs.
Raj Path
Atravessamos a rua para conhecer o Raj Path, uma extensa via que leva até os edifícios governamentais (Secretariat). No caminho, um motorista de tuk-tuk nos ofereceu o transporte por 20 rúpias e topamos.