Passadiço da Glória, um dos cartões postais da cidade de Diamantina
Bela fachada pintada com a tradicional combinação de azul e branco
Detalhes da arquitetura colonial
Igreja de Biribiri
Igreja de São Francisco de Assis
Catedral Metropolitana de Santo Antônio na Praça da Matriz
Cachoeira dos Cristais e suas águas cor de ferrugem
O curioso relevo próximo à Gruta do Salitre
Rua da Quitanda: reduto boêmio que agita as noites de Diamantina
Apresentação da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais no Dia da Independência do Brasil
Diamantina é uma cidade histórica que recebeu esse nome devido à grande produção local de diamantes, que eram explorados pela coroa portuguesa na época da colonização. Durante o século XVIII, a cidade ficou famosa por ter abrigado Chica da Silva, escrava alforriada que era esposa do homem mais rico do país. Diamantina também é conhecida por ser a terra natal do ex-presidente Juscelino Kubitschek.
A cidade é um dos destinos da Estrada Real, um dos roteiros culturais e turísticos mais interessantes do Brasil.
Diamantina oferece muitas serestas e vesperatas, eventos em que os músicos locais se apresentam à noite, das janelas e sacadas de velhos casarões, enquanto o público assiste das ruas.
Igreja de São Francisco de Assis
Para conhecer a cidade, era necessário mais do que um único final de semana, que é o tempo que costumamos ter disponível em nossas incursões pelo Brasil. Por isso aproveitamos o feriado de 7 de setembro para comprar uma passagem até o aeroporto de Confins e de lá seguir viagem até Diamantina, passando antes por Sete Lagoas e Cordisburgo a fim de conhecer as lindas grutas Rei do mato e do Maquiné.
Chegamos a Diamantina no final da tarde. Deixamos nossas mochilas na pousada e fomos dar uma caminhada, registrando nossas primeiras impressões.
Conseguimos ver todas as principais atrações turísticas antes de escurecer, mas voltamos em todas elas no dia seguinte. Diamantina é o tipo de cidade que me atrai demais! Adoro a arquitetura colonial e acho uma delícia passar o dia caminhando entre ruelas estreitas pavimentadas com blocos rústicos de pedra. Em cada cantinho há um detalhe interessante a ser percebido e admirado como lamparinas, janelas altas, sacadas, telhados ornamentados, portas coloridas etc. Não é à toa que o centro histórico foi tombado em 1938 e está inscrito na Lista de Patrimônio Mundial pela Unesco.
A Casa da Glória foi construída entre 1775 e 1800 por Manuel Viana. A casa é assim conhecida porque posteriormente foi habitada por Dona Josefa Maria da Glória. No início do século XIX, ela passou a ser propriedade do governo e em 1864 tornou-se a residência oficial dos Bispos de Diamantina.
Por volta de 1867, a construção se converteu em um orfanato e depois um educandário feminino comandado por freiras. Tempos depois, as religiosas adquiriram o edifício do outro lado da rua, e, para unir as duas casas, construíram o famoso Passadiço de Diamantina.
Em 1969, pesquisadores alemães compraram a casa e a transformaram no Instituto Eschwege, que foi incorporado em 1979 pela UFMG.
A Catedral Metropolitana de Santo Antônio tem um aspecto imponente e fica localizada na Praça da Matriz, cercada de prédios históricos.
A atual matriz de Diamantina foi construída entre 1933 e 1940, em substituição à antiga igreja de Santo Antônio do Tejuco.
Seu interior é simples, claro, arejado e não possui muitas ornamentações. Mas havia um casamento marcado para aquela noite e achei interessante fotografar os arranjos de flores, neutros, elegantes, sutis e que me passaram uma sensação de frescor. Fica aqui registrada a ideia!
No início da noite, já cansados, curtimos o burburinho da Rua da Quitanda, onde se concentram alguns bares e restautrantes com mesinhas espalhadas pela rua, já que as calçadas são bem estreitas.
Nosso mineiríssimo prato de feijão tropeiro com lombinho foi tão calórico quanto saboroso. Para acompanhar, pedimos uma deliciosa cerveja mineira BACKER bem geladinha!
No sábado pela manhã, saímos para caminhar novamente pelo centro histórico. Na foto acima, eu estou em frente à casa onde morou Chica da Silva, que infelizmente estava fechada no mês de setembro.
Casa de Chica da Silva
Francisca da Silva de Oliveira, ou simplesmente Chica da Silva, foi uma escrava, posteriormente alforriada, que viveu em Diamantina durante a segunda metade do século XVIII. Ela manteve durante mais de quinze anos uma união estável com o rico explorador de diamantes João Fernandes de Oliveira, tendo com ele 13 filhos. O fato de uma ex-escrava ter atingido posição de tamanho destaque na sociedade durante o apogeu da exploração de diamantes deu origem a diversos mitos. Entretanto, essa união incomum não foi um caso isolado na sociedade colonial brasileira, mas chamou a atenção por ter sido pública e duradoura, além de envolver um dos homens mais abastados da região.
Se vocês quiserem saber mais sobre essa história, basta clicar AQUI.
Charmosa rua em frente à casa de Chica da Silva
Detalhe de uma casa colonial
A Casa de Chica da Silva pertence ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - Iphan. Aberta à visitação pública, apresenta um núcleo de exposição contendo informações históricas sobre a casa, sobre a ex-escrava e o contratador João Fernandes de Oliveira. Apresenta ainda exposições temporárias.*
Igreja de Nossa Senhora do Carmo
Em seguida, voltamos ao Passadiço da Glória, conhecemos o Mercado Municipal, revimos a Catedral e outras igrejas bonitas e bem conservadas. Mas, infelizmente, estavam todas fechadas no feriado e nos contentamos em apreciar suas fachadas.
Em geral, muitas construções do centro histórico nos pareceram recentemente reformadas e pintadas.
Igreja de Nosso Senhor do Bonfim dos Militares
A Igreja de Nosso Senhor do Bonfim dos Militares foi construída por volta do ano de 1771 e apresenta uma única torre na fachada. Li que seu interior (que não tivemos a oportunidade de conhecer) é rico em talhas douradas e o altar mistura os estilos D. João V e rococó.
Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos
A Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos é uma das construções mais antigas de Diamantina e foi erguida em 1728 por negros pertencentes a uma irmandade. Assim como outras igrejas construídas posteriormente na cidade, possui uma única torre. O largo da igreja abriga um chafariz do século XVIII.
Depois de circular bastante pela cidade, fomos conhecer a casa onde o ex-presidente Juscelino Kubitschek morou na infância.
Juscelino era filho de João César de Oliveira, que foi garimpeiro, delegado de polícia, fiscal de renda do município e caixeiro viajante. Sua mãe, Dona Júlia Kubitschek, era professora primária e ensinou o filho até que ele ingressasse no Seminário Episcopal de Diamantina.
Como vocês podem verificar na foto acima, descobri que o futuro médico e presidente do Brasil não foi um bom aluno em sua primeira década de vida, rsrs! Suas notas 4, 5 e 6 me surpreenderam!
A casa é hoje em dia um museu que abriga uma biblioteca, objetos pessoais, fotos e os violões usados pelo político para participar das tradicionais serestas.
Museu do Diamante
Em seguida, visitamos o Museu do Diamante, Inaugurado em 12 de abril de 1954. A instituição ocupa um dos prédios de maior significado histórico e arquitetônico para a cidade. Construído em 1749, foi residência do Inconfidente Padre José de Oliveira e Silva Rolim, um dos principais implicados na Conjuração Mineira de 1789.
O museu funciona como um centro de memória da região de Diamantina, reunindo arte sacra, mobiliário, armas, indumentária, tecelagem, oratórios e outros objetos de uso cotidiano. Na verdade, diamante mesmo é o que a gente menos vê, rsrs!
De lá, seguimos para a praça que abriga o Mercado Municipal, onde estava sendo montado o palco para a apresentação da Filarmônica.
O antigo rancho dos tropeiros, erguido em 1835, foi restaurado em 1997 e desde então abriga o Mercado Municipal.
Além da feira de alimentos e de artesanato que acontece nos finais de semana, o espaço abriga um centro cultural. Adorei esse lugar, principalmente as barracas de comidas típicas… bom, nós havíamos tomado café da manhã na pousada e não estávamos com fome alguma, mas gostei de ver essa movimentação animada, as pessoas comendo, bebendo, amigos se encontrando, visitantes comprando peças de artesanato etc. É realmente um lugar gostoso de frequentar nos finais de semana.

À tarde, o Marcelo pegou o carro e fomos conhecer a Gruta do Salitre, que fica no caminho para Curralinho. O lugar é muito bacana e o relevo tem um recorte bastante diferente e curioso.
As pedras parecem formar desenhos e torres pontiagudas. Parece algo saído de um conto de fadas, me lembrou a casa de uma bruxa ou de um ogro, rsrs! O certo é que, como escreveu o Marcelo em seu relato, “É o tipo de lugar em que as fotos não traduzem o esplendor que você vê quando está lá”.
A gruta tem este nome por causa da extração do salitre, que era utilizado para a fabricação de pólvora. Formada de quartzito, ela encanta os visitantes, inclusive por ter uma acústica perfeita. O local já foi palco de concertos, do filme Chica da Silva e de novelas da extinta Rede Manchete. Também serviu como esconderijo para os escravos fugitivos da região.
Fiquei impressionada com o tamanho dessa fenda na rocha, mas acho que não dá pra ter uma noção clara pela foto.
Em seguida, fomos conhecer o Parque Estadual de Biribiri. O parque tem uma guarita na entrada e recebemos do guarda florestal um saquinho plástico para recolher o lixo que eventualmente produzíssemos. Nosso foco era conhecer a Cachoeira dos Cristais e a Vila de Biribiri.
A Cachoeira dos Cristais é muito bonita e suas águas possuem uma coloração de ferrugem bastante interessante, mas não é nada turva, pelo contrário. O Marcelo aproveitou o calor pra dar um mergulho, mas eu achei a água meio gelada e fiquei só fotografando.
Antes de passar para a próxima atração que visitamos, vou copiar aqui mais um trecho do relato do Marcelo: “O lado negativo do lugar, ao menos naquele momento em que estivemos lá, é aquela coisa bem brasileira. Lembram-se do saquinho para trazer seu lixo de volta? Ainda assim, é claro que você vai encontrar facilmente lixo largado pelo chão nos arredores da cachoeira. Mas tinha mais: proibido entrar com animais domésticos? Uma galera levou um cachorro. Proibido fazer churrasco? Tinha churrasco. Proibido pular do alto da cachoeira? Tinha gente pulando”.
Depois de curtir a cachoeira por alguns minutos, seguimos viagem para conhecer a Vila de Biribiri