joa1
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carv Aug 15, 2025 @ 2:02pm 
Durante nosso tempo de cela, tive a oportunidade de ensinar latim a Joa1. Ele tinha uma mente ávida e um respeito genuíno pelo conhecimento. Aproveitávamos o tempo ocioso para estudar lógica, história romana e estratégias clássicas, o que acabou nos unindo em uma relação de aprendizado mútuo. Ele absorvia tudo com intensidade, como se, de alguma forma, soubesse que esse saber o acompanharia muito além das grades. Em certos momentos, alguns presos o procuravam com más intenções, buscando prazeres da carne, e no seu olhar ingênuo, eu via do que ele era capaz. Apesar do conhecimento total da prisão, rotas e fugas, ele não o usava quando se via encurralado pelos malfeitores. De fato, um homem honroso, que vendo o esforço dos prisioneiros do Bloco C5, cedia às suas vontades. Lembro-me até hoje da sua primeira frase em latim: “Anum meum comederunt.”.
JaehEntao Aug 14, 2025 @ 10:27pm 
Eu lembro bem do clima tenso naquela cela. Havia rancor, orgulho ferido e um silêncio pesado que nem as conversas sobre Roma antiga conseguiam quebrar. De minha guarita, observava como as interações mudavam: às vezes debates calorosos, às vezes olhares que diziam mais do que palavras. Em certo dia, vi um deles parado no canto, quase escondido na penumbra, observando o outro com uma expressão difícil de decifrar — misto de admiração e inquietação. Sussurrou algo em latim, que não compreendi, mas que soou carregado de ironia e emoção. Aqui dentro, pequenos gestos ganham significados profundos, e cada olhar pode contar uma história inteira. O tempo passou, e aquele ressentimento parece ter virado aprendizado. Vejo que ambos saíram mais complexos, mais conscientes de quem eram e de quem podiam se tornar. Como carcereiro, aprendi que nem toda violência é física, e que às vezes a maior prisão está naquilo que guardamos dentro de nós.